O enfraquecimento do futebol interiorano
21/10/2018 22:11 em Esporte

O futebol cearense pode ter uma das melhores temporada de sua história em 2018. Com o Ceará em uma crescente e com plenas possibilidades de se manter na Série A e o Fortaleza líder da Série B, as duas maiores equipes do Estado podem quebrar uma sequência de 25 anos sem os dois na elite. A última vez aconteceu em 1993, quando o Vovô bateu o Leão por 3 a 1 e 1 a 0, nas duas oportunidades em que se encontraram.

Além disso, o Ferroviário voltou a conquistar um título desde o bicampeonato cearense em 1995. O Tubarão da Barra se tornou a primeira equipe da capital cearense e a segunda do Estado (Guarany de Sobral conquistou a Série D em 2010) a conquistar um troféu nacional. A equipe coral foi campeã da  quarta divisão e disputará a Série C em 2019. Dessa forma, Uniclinic e Floresta serão os representantes locais na última divisão do futebol brasileiro.

Notou alguma semelhança entre as cinco equipes que representarão o nosso futebol em competições nacionais em 2019? Sim, todas são da capital.

Na edição do estadual desse ano foram 10 equipes, sendo destas, seis da capital: Fortaleza, Ceará, Ferroviário, Tiradentes, Uniclinic e Floresta. Duas da Região Metropolitana: Maranguape e Horizonte, e apenas duas do interior alencariano: Guarani e Iguatu. Em 2017, por exemplo, tivemos três equipes interioranas: Guarani de Juazeiro, Guarany de Sobral e Itapipoca.

Esse número é o mais baixo dos últimos 10 anos. Em 2010, 2011 e 2012, por exemplo, tivemos sete equipes do interior disputando a série A do Cearense: Crato, Boa Viagem, Limoeiro, Quixadá, Guarani, Guarany, Icasa , Crateús e Trairiense, se reversaram durante esses anos na elite estadual.

O fato piora na Taça Fares Lopes. A competição secundária do nosso estado, que coroa o campeão com uma vaga na Copa do Brasil, tem apenas um representante do interior, o Iguatu. Ceará, Fortaleza, Ferroviário, Horizonte, Pacajús, Caucaia e Floresta completam as vagas.  Com forte apoio da prefeitura, de empresários locais e presença maciça da torcida, o Azulão segue o caminho oposto dos demais. A equipe quase se classificou para as semifinais do estadual e vem fazendo boa campanha na Fares Lopes.

Com as outras equipes, o problema é financeiro-administrativo. Sem apoio das prefeituras e de empresários, os clubes se afundam em dívidas e na má gestão das diretorias que vão jogando a batata quente de mão em mão.

O Icasa, que quase chegou a elite do Brasileirão em 2013, parou na semifinal da Série B do Estadual e não teve condições financeiras de disputar a Taça Fares Lopes. Seu rival, o Guarani, mesmo na Série A, não conseguiu apoio e abdicou da competição. Barbalha e Guarany de Sobral, finalistas da segunda divisão, desistiram da disputa pelos mesmos motivos.

Em 2019, o Campeonato Cearense terá três representantes do interior, Guarani, Guarany e Barbalha, mas as agremiações mostram não ter força para suportar o poderio financeiro dos clubes da capital. Chegarão ao certame com a esperança de se manter na elite e por dias melhores, mas a situação é desencorajadora.

 

 

 Honorato Vieira

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